Tom andava preocupado. Não dormia há semanas, e à medida que os dias se passavam, apenas uma garrafa de café não estava nem perto de ser considerado o suficiente para satisfaze-lo, para mantê-lo lúcido. O despertar eterno - disse ele - só pode ser maldição. O que fiz para merecer tamanha desgraça?
Ele estava enganado, não era maldição, era apenas um vício. "Durma, criança." - Diziam as criaturas em seus sonhos. Sonhos? Como, se não mais dormia? Ele estava delirando. Um trevo de quatro folhas, era o que queria encontrar. E todos os dias retomava sua busca obsessiva pelos vastos prados.
- Quando o encontrar terei direito a um desejo. Sim. Desejo. E enfim poderei sentir. Sim, sim... S-e-n-t-i-r... É, sentir, sentir. Aprenderei a amar, ficar alegre, triste, terei preocupação, saudade, culpa... E não mais machucarei ninguém. Não, eu não machucarei, não poderei machucar... Juro que não machuco... E então sem meu fardo, dormirei tranquilo. Finalmente, sim. Sim. - Tom pensava sempre.
Encontrou Gnomos, moedas de ouro, fadas, portais secretos, unicórnios, magos, anões, lupinos, bruxos, super-heróis, deuses, demônios, anjos, gárgulas, quimeras, e qualquer outra criatura que se possa imaginar. Todos estavam em suas terras, mas não se importava, só serviria um trevo de quatro folhas.
Uma garota, certo dia, no ápice de sua cólera, apareceu. Ela tinha grandes olhos verdes e longos cachos rubros. Ela disse que encontrou o trevo que Tom tanto almejava, que poderia ajudar. Estava com São Patrick, mas bem alertou: Tudo tem um preço. Mas onde encontra-lo? - Tom não obteve resposta, logo os cachos da garotinha tomaram conta do lugar, o céu ficou vermelho e do céu precipitavam gotas e gotas de sangue. Lágrimas de ouro escorriam na doce face da garotinha, prostrada, assustada, tremendo, num grito abafado, sucumbiu. A forma assustadora de uma caveira se formou ali, no lugar da cabeça.
O dia amanheceu. Tom desperta, toma coragem, toma banho, toma café, e tenta escrever alguma coisa...
Kuroi Kuroneko
23.02.12
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Uma flor, uma espada. (Duplo)
São dois textos, porém ambos estão interligados. Girando em torno de uma flor e uma espada (:
Ato I
Uma flor e uma espada.
São tudo que tenho...
E nesta estrada, longa estrada, está tudo em minhas mãos.
Era uma emboscada: Matar a flor, tirar o pólen.
Era uma emboscada: Viciou-me, seu aroma viciou-me.
E a extinção, tormento, ilusão...
Uma flor e uma espada
Doce aroma, cravado em batalha
No ser, um corte e podre odor de morte.
Nada tive, nada tenho, nada perderei...
Flor e espada, tão bela combinação
Presenteie a dor...
Meu bem, eles vão te magoar. Encontra teu canto!
Uma flor e uma espada
Um par de botas e um espelho.
Nenhum objetivo, nenhum lugar.
Mas saberei, caso chegue lá.
Ferir o semelhante, triste flor...
E seja quanto triste for, me vou.
Uma flor e uma espada
Um santo e um arco-e-flecha
Um canto, uma seresta, só pra te ganhar...
O rei já decretou, o ministro aceitou: Me vou.
Sem meu lugar, vou já.
Desesperar, vou já.
O erro voltará, vou já.
Descansar, vou já.
Matará, vou já.
É-por-ti.
Ato II
Uma flor e uma espada
São tudo que tenho, além da longa estrada.
Esta dor em meu peito,
Tristeza no olhar...
Tentei matar de todo jeito
Mas quando penso naquilo que por mera desventura
ou ventura de não ter, só me faz viver.
E viver me suga a vida,
Viver me rouba a alma
Viver me tira a calma
Viver me mata, e viver sem aquilo lá...
É tortura... Doença sem cura, pecado sem salvação, sem perdão.
Perdão.
Kuroneko-chan
29/08/2011
Ato I
Uma flor e uma espada.
São tudo que tenho...
E nesta estrada, longa estrada, está tudo em minhas mãos.
Era uma emboscada: Matar a flor, tirar o pólen.
Era uma emboscada: Viciou-me, seu aroma viciou-me.
E a extinção, tormento, ilusão...
Uma flor e uma espada
Doce aroma, cravado em batalha
No ser, um corte e podre odor de morte.
Nada tive, nada tenho, nada perderei...
Flor e espada, tão bela combinação
Presenteie a dor...
Meu bem, eles vão te magoar. Encontra teu canto!
Uma flor e uma espada
Um par de botas e um espelho.
Nenhum objetivo, nenhum lugar.
Mas saberei, caso chegue lá.
Ferir o semelhante, triste flor...
E seja quanto triste for, me vou.
Uma flor e uma espada
Um santo e um arco-e-flecha
Um canto, uma seresta, só pra te ganhar...
O rei já decretou, o ministro aceitou: Me vou.
Sem meu lugar, vou já.
Desesperar, vou já.
O erro voltará, vou já.
Descansar, vou já.
Matará, vou já.
É-por-ti.
Ato II
Uma flor e uma espada
São tudo que tenho, além da longa estrada.
Esta dor em meu peito,
Tristeza no olhar...
Tentei matar de todo jeito
Mas quando penso naquilo que por mera desventura
ou ventura de não ter, só me faz viver.
E viver me suga a vida,
Viver me rouba a alma
Viver me tira a calma
Viver me mata, e viver sem aquilo lá...
É tortura... Doença sem cura, pecado sem salvação, sem perdão.
Perdão.
Kuroneko-chan
29/08/2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Poo.
Dentre tantos rostos, tua face busquei...
Após longos conflitos, tormentos aflitos,
só agora encontrei, e me vi ao pé de ti.
Mas é tarde.
Dentre tanta gente comum e fria,
por teu calor procurei
Cedo recebi, mas sem perceber, me retirei.
E já é tarde.
Nos vidros de teus olhos, busquei meu reflexo.
Mas não vi.
No furor de tua idade, eu quis ser espelho,
mas não estava ali, e já é tão tarde...
Em meus olhos cacos, está tudo aos pedaços,
E no tormento, derretem-me a visão.
Porém, não há por que ir embora,
sempre estarei aqui.
Torcendo pra que ai fora
chova, e eu finalmente consiga dormir (viver o sonho).
Kuroneko-Chan
25.07.2011
Após longos conflitos, tormentos aflitos,
só agora encontrei, e me vi ao pé de ti.
Mas é tarde.
Dentre tanta gente comum e fria,
por teu calor procurei
Cedo recebi, mas sem perceber, me retirei.
E já é tarde.
Nos vidros de teus olhos, busquei meu reflexo.
Mas não vi.
No furor de tua idade, eu quis ser espelho,
mas não estava ali, e já é tão tarde...
Em meus olhos cacos, está tudo aos pedaços,
E no tormento, derretem-me a visão.
Porém, não há por que ir embora,
sempre estarei aqui.
Torcendo pra que ai fora
chova, e eu finalmente consiga dormir (viver o sonho).
Kuroneko-Chan
25.07.2011
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