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domingo, 18 de março de 2012

Elfos e mansões


 Dois elfos na floresta
Dois elfos dançando
A lua cheia beijava a terra
E eles dois cantarolando:

Doce vento que assobia, doce vento
Traz-me este belo perfume.
Doce vento arrepia, doce vento
Vem dançar na ventania

  
 Duas fadas no campo
Duas fadas azuis
Elas se escondem atrás dos troncos
E no escuro, brincam com a luz
Depois de uma pausa, pegam seus instrumentos
Para espantar seus males, elas tocam blues :

Venha garotinha, eu quero te mostrar
Não vá pelo escuro, o monstro pode te pegar
Cuidado, pequenina, precisa de um amigo?
Se você preferir, pode vir comigo

 A nuvem passava e molhava a terra
A nuvem se ia, e chorava a relva.
De tocas e arbustos saiam os seres
Coelhos robustos em seus ternos prazeres
Que bela esta terra! Que reino tão grande!
Tão bom seria se menos distante.
Antigas canções alertavam os outros:

Fora destes portões, o mal está solto.
O mais velho sábio já fora enganado
Há terras traiçoeiras além dos condados
As flores mais belas com os piores venenos
Grandes mansões, interiores pequenos.

As mães já diziam:

Ouçam-me filhos, prestem atenção
Pois o que digo vem de coração
Só saia daqui se estiver preparado
Pois se saíres, serás renegado
E lembrem de mim até o fim de teus dias
Porque só assim padecerão em alegria
Amor verdadeiro é o que vos ofereço
O de qualquer outro terá o seu preço


Kuroi kuroneko
18.03.2012





Dedico a Philippe porque blablablabla e ravioli spagueti arrivederci mercodeli domenica pepperoni  pimpimpim. *-*



sábado, 20 de agosto de 2011

A mais bela borboleta do universo

Era um dia cinza, eu estava por traz das grades cinzas da minha janela cinza, que dava para o meu quintal cinza. Onde lá, eu podia ver as trepadeiras intrigantes, do meu muro cinza. Estava lá: Enorme, amarela e delicada. Lá no quintal ela estava, com suas asas pomposas se mascarando no ambiente. Não, não estava na janela do quintal, nem dentre flores, nem pelas as árvores. Estava bem ali, naquele muro. Não estava à cima ou à baixo do muro, não estava nos ninhos, nem nas Samambaias. Estava bem ali, onde aponto meu indicador direito, exatamente naquele ponto, ao alcance de minhas mãos, se escondendo por entre as folhas mortas daquela trepadeira que eu não sei o nome. - Tolice! - Disse a razão, um tom arrogante - É apenas uma folha seca, presa nas outras folhas também secas e também presas, estas por sua vez, no muro.
Não, não era uma reles folha seca. Era um linda borboleta, que estava além das grades cinzas da janela cinza e além do pólen louco das flores cinzas do meu jardim. Cinza. Era uma enorme e graciosa borboleta, cujo desenho nas asas lembrava aquele céu mágico estrelado das noites de verão, com duas luas cheias e hipnotizantes. Era a mais bela borboleta do universo e veio pintar o meu jardim cinza de flores velhas e folhas secas, e cinzas. Era a mais bela borboleta do universo, e seu nome era Vida. A Vida era linda, a Vida era alegre, a Vida era radiante, a Vida voava de um jeito engraçado e único, a Vida vinha fácil, a Vida pousou em meu dedo e descansou em minhas mãos, pois era corajosa. E depois de tudo, Vida se foi... Depois de me fazer companhia, de voar pra mim e pintar meu jardim, Vida foi embora. O tempo passou, e estava na hora. Agora, ainda atrás das  grades cinzas da janela cinza, olho para o muro cinza, e vejo a Vida no mesmo lugar, imóvel. Não na janela, nem pelas flores ou pelas árvores. Está bem ali naquele muro, no exato ponto onde meu indicador direito indica, ao alcance de minhas mãos. E vida está velha e seca, vida está lá morta e presa entre as folhas também secas e mortas daquela trepadeira que não sei o nome. - Essa Vida é apenas uma folha - Repetiu a razão.
- Não, é uma borboleta, a mais bela borboleta do universo. Me deixa sonhar só mais um pouquinho...



                  Kuroneko-Chan
                       19.08.11


*No texto original, a borboleta se chamava 'Você' e não 'Vida' =B
Até que enfim um título que presta \o\

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Poo.

Dentre tantos rostos, tua face busquei...
Após longos conflitos, tormentos aflitos,
só agora encontrei, e me vi ao pé de ti.
Mas é tarde.

Dentre tanta gente comum e fria,
por teu calor procurei
Cedo recebi, mas sem perceber, me retirei.
E já é tarde.

Nos vidros de teus olhos, busquei meu reflexo.
Mas não vi.
No furor de tua idade, eu quis ser espelho,
mas não estava ali, e já é tão tarde...
Em meus olhos cacos, está tudo aos pedaços,
E no tormento, derretem-me a visão.

Porém, não há por que ir embora,
sempre estarei aqui.
Torcendo pra que ai fora
chova, e eu finalmente consiga dormir (viver o sonho).

                                            Kuroneko-Chan
                                               25.07.2011