Mostrando postagens com marcador Devaneios e Esperanças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Devaneios e Esperanças. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Nos devaneios de Garloth

Minha fada, desgraçada!
Como pôde? Me matou.
Oh meu moço, que desgosto
Me perdoe, por favor.
Quero te ter assim do nada
Madrugada, sem pudor.
E toda noite, alegre e doce
te afogar em meu prazer.
Amor e ódio, dor e ócio
e no remorso irei te ver.

Quero só que tu me mate
assim como faz o caçador

Com o sangue ela me disse:
Fico triste e queimo em flor.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Devaneios e Esperanças #4

Garloth não conseguiu conter as represas em seu olhar, e num pulo desesperado para envolver seu corpo no corpo do moço, deixou um rio de água salgada se esvair. E aquele rio não se findava.
Sou uma fada, meu moço! - Repetia desesperadamente junto de uma tentativa falha e esperançosa de sacudir o moço para ver se alguma vida poderia se manifestar ali. - Que mal te fiz, meu moço, que mal te fiz? Que maldição se apossou de meus olhos para não te ver? Que te fiz? Que me fiz? Me perdoe. - Entre soluços, ela dizia. Seu desespero era evidente, e nos seus olhos frios e negros se via medo, tristeza, surpresa, dúvida.
E de longe leve e calmo o diabo escondia um tanto de preocupação (e por que não ciúme?) debaixo de sua cartola um tanto gasta pelo tempo. Ele não causara aquilo tudo. Sabia que era o que a diabrete queria. Mas que maldita criatura paradoxal!! Quieto ele mantinha-se, pois sabia que aquele oposto era passageiro, era apenas um devaneio estúpido de sua pequena criatura inconstante.
Desesperada ainda ela estava, e sem saber o que fazer, voou por todos os lados sem um destino certo, estava atordoada. Até que bateu a cabeça em um parede enorme, e caiu ao chão. Tonta, olhou para os lados e viu algo se aproximar e sentiu que foi carregada até que tudo mais ficou escuro.
Era apenas isso o que ela se lembrara quando acordou acorrentada numa mesa de pedra e ouvia as palavras de uma voz amarga:

Eu estava lá. Eu estava lá, e vi seus olhos vazios implorarem por socorro, ou talvez por uma fuga. É isso que sempre faz: fugir. Foges da realidade com as desculpas mais absurdas possíveis. Se fazes de propósito ou se, de fato, tens problemas irreparáveis em tuas faculdades mentais, nunca irei saber, mas teus tormentos já se fazem insuportáveis. Ao te ver, não sei se teus olhos lacrimejam por arder em loucura ou se estás mesmo a sofrer. De um coração como o teu, não sei o que esperar. Tens um coração, não tens? Tão imprevisível... Tão inconstante... Tão Afoito.... Tão ameaçador. Das duas uma: Ou é demasiada insana esta loucura que faz com que tome as atitudes mais randômicas, fale as palavras mais aleatórias e viva privando-se de culpa ou sentimentos vis, escondendo teu coração... Ou é deveras cruel e desprovida de alma e consciência para calcular tudo de forma a confundir a todos e causar o caos nas almas alheias.
Que demônio! Não se entende esta criatura! Aos nossos olhos, salvadora. Mas à nossos corações, carrasca.
E nos aflige a alma ver tal criatura sofrer... Pois sua ternura nos passa inocência, e é aí que a dúvida nos tortura: O que és? Que queres tu de nós?

~ Era o moço amargurado em seu desespero fatal.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Devaneios e esperanças #3

              A cidade estava em chamas e o caos tomava conta até das frestas mais ínfimas do lugar. Tudo se desfazia e se esvaía. O diabo estava agitado e contente. A diabrete ria desgraçadamente.
 Até que se fez pesar sobre sua consciência a lembrança de um moço que lhe dizia coisas agradáveis, que por mais estranho que fosse, parecia se importar. Perguntou-se o Porquê daquilo tudo, por que seu prazer era demasiado no meio de tanta imundice?
Em seu corpo de fada haviam também poderes de fada. - Quem disse, então, que fada não posso ser? - Falou a criatura para seus botões.
O diabo ri-se e diz com fervor: És um diabrete, Garloth! Pois assim te criei, assim te enchi de maldade e assim, deves-me lealdade.
 A lembrança do moço não se ia da mente da criatura, o que não agradou o diabo, e fez despertar um outro lado da criatura que abriu voo pelo céu e seguiu deslisando pelos campos flamejantes, criando uma fria chuva torrencial, que à todo fogo apaga, lava as imundices e a toda dor acalma.
Ela olha para o bar, agora destruído, e se assusta: O moço ali ainda está. No escuro só se vê seus penetrantes e cristalinos olhos azuis, tão frios, tão mortos, paralisados e brilhosos, reluzindo como prata ao luar.
Que terá acontecido? Que mal se fez?

sábado, 23 de junho de 2012

Devaneios e esperanças #2

            E aparece o diabo de cartola e guarda-chuva, com sua gravata borboleta e seus trejeitos aristocráticos, apesar de inquestionavelmente errados, de alguma forma especificamente psicológica. Vinha com os olhos tão vermelhos ocultos detrás de lentes redondas de preto opaco, vedando-lhe o semblante e boa parte da sua percepção. Apesar disso, o sorriso era inquestionavelmente largo e soberbo. Cochichou no ouvido dela algumas sugestões luxurentas, apenas para aquecê-la em sua fria contenda interna. Qualquer coisa para lembrá-la de que havia algo pra se preocupar lá fora, chamando atenção das duas que se digladiavam inerentes: a criadora de sonhos e a destruidora de sonhos. Aspectos das duas chamavam a atenção dele - e ele era feliz, porque elas eram uma só.
           A criatura deu risadas maléficas que pareciam não se findar, as quais assustaramm o moço, que não pode ver o diabo. Ele é só um moço. A criatura por sua vez dá as mãos ao diabo, e começam a dançar uma valsa macabra pelas ruas da cidade, derramando sangue e tormento por onde passavam. A cólera logo tomou conta de todos, que se corroiam e se desfaziam em um algo podre, mais podre até do que já eram. A criatura olhava bem nos olhos do diabo, a pesar de só ver um reflexo meio fosco e um vazio inigualável, ela o olhava nos olhos e se ria. O diabo a observava e sentia prazer em ouvir as risadas. Era algo que não havia acontecido nunca antes: Ele se apaixonara.




segunda-feira, 11 de junho de 2012

Devaneios e esperanças #1

Não se podia esperar outra coisa além disso num dia como aquele. Chovia, chovia, chovia. Se perguntava o Porquê disso, embora soubesse a resposta, tentava não acreditar. Havia causado aquilo tudo e sabia. Haviam desejos dentro de si, mas tanto fazia se se concretizassem ou não. Não fazia o menor esforço para materializar seus anseios. Que raios de vida?!
Poderia aquilo, ao menos, ser chamado de vida?
Era um diabrete com corpo de fada, que atormentava as mentes vis. Eram dois seres em um só, que mantinham uma aversão absurda um pelo outro. Um queria paz, por isso o outro provocava a guerra. Um queria sonhar, enquanto um outro o acorrentava-lhe os pés no chão. E assim seguiam, quase que fazendo uma disputa para ver qual das criaturas conseguia atormentar mais a alma do outro. Mas era uma alma só, e assim tudo que faziam era revertido para si.
- Onde escondes teu sorriso, criatura? - Perguntou um moço uma vez. Havia sumido há tanto tempo que nem se lembrava mais qual seu fim.
Odiava tudo que existia, e as possibilidades quaisquer de coisas que poderiam vir a existir. Isso incluía a criatura. Será que sofria?
- Um vazio pode ser chamado de dor? - A criatura perguntou ao moço, numa esperança falha de ter alguma resposta de efeito.O moço que se mostrava tão interessado, parecia confiável. Mas talvez não fosse. Talvez.
O moço sorria e dizia coisas interessantes. Era admirável, embora simples. Suave, embora impetuoso. Tinha grandes dúvidas, mas era genial. Não tinha uma imagem negativa, nem positiva demais ao ponto de se desconfiar. Era singelo.
Eles não se conheciam. Não eram amigos. Não eram nada. Apenas personagens de um encontro, o qual se prolongou.
Talvez o moço pudesse ajudar a criatura a parar de se ferir. Mas a criatura feria além de si mesma, tudo ao redor. Ele tinha algum tipo de resistência a violência daquele ser incompreensível, e continuava ali.
Teria fim aquele encontro?


Kuroi Kuroneko
    11.06.12