quarta-feira, 18 de maio de 2011

William Shakespeare - Soneto 130

Tava fazendo trabalho de inglês sobre este soneto, gostei bastante.


Os olhos de minha amada não são como o sol;
Seus lábios são menos rubros que o coral;
Se a neve é branca, seus seios são escuros;
Se os cabelos são de ouro, negros fios cobrem-lhe a cabeça.
Já vi rosas adamascadas, vermelhas e brancas,
Mas jamais vi essas cores em seu rosto;
E alguns perfumes me dão mais prazer
Do que o hálito da minha amada.
Amo-a quando ela fala, embora eu bem saiba
Que a música tenha um som muito mais agradável.
Confesso nunca ter visto uma deusa passar –
Minha senhora, quando caminha, pisa no chão.
Mesmo assim, eu juro, minha amada é tão rara
Que torna falsa toda e qualquer comparação.

domingo, 15 de maio de 2011

papel

Não quero ter que dizer
O que penso ou o que quero
O que sinto ou o que espero
Meus olhos estão cobertos
E é fácil imaginar o que não consigo ver...

O que vem por ai, terei de descobrir sozinho
A noite quente vem, ela só precisa de carinho
Nego. Não posso, não consigo, não tenho...
Em troca ela me traz água e sal, água e sal, água e sal...
E neste mar eu me afogo.

Está escuro e faz calor,
Alguém ligou a luz e o ventilador.
Mas é passageiro e breve,
não adianta.
Nego, e lá vem mais água e sal, água e sal, água e sal.

Num mundo de papel,
a chuva é de confete,
Mas não há cor, não há cheiro
Não há sentimento,
Há desespero...
Chove lá fora, mas não sinto aqui dentro.

Tanto tempo faz, estou preso
já nem lembro mais
como vim parar aqui, o que fiz pra estar aqui...
Se for pra viver neste casulo, melhor nem viver.
Goodbye cruel world at last you se me drown

                                          Kuroneko-chan (e um trecho da musica "tongue" da banda seether)
                                               15.05.11

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O ciclo se repete. Mais uma semana...

O ciclo se repete. Mais uma semana com meus sonhos, meus amores e minhas escolhas, nem sempre tão meus.
Meu sonho de poesia e de prosa, meu sonho de rimas em uma vida de versos brancos.
Talvez seja isso mesmo, as minhas rimas (coerências) sejam para outras pessoas, talvez tenha vindo ao mundo para viver uma vida de versos brancos e com ela deva conformar-me.
Mas se conformar significa, etimologicamente, tomar a forma de algo, se adaptar. E me pergunto se isso não seria uma tentativa de rimar com algo, de tomar forma de algum tipo de coerência.
Ainda que esta seja a incoerência de um texto como este, que nada é, nem poesia sem rima, nem prosa poética.
Talvez seja apenas minha maneira de me acompanhar de uma presença ausente, neste momento que me cerca com olhos que rimam beleza e saudade em meus versos brancos.

                                                                               (A.O. Andrade)

Dei valhô, merece selinho tbm !

mimimi

Para onde vais com estes olhos de julgar?
Já não amedrontaste o bastante?
O tempo é seco e amargo,
mas ainda não é tarde...
Precisava roubar-me o olhar?
Fala de tudo, mas não daquilo que há em mim.

Para onde levas estes pés cansados?
Te aquieta!
A verdade que te mata, é a mesma que te mantém lúcido.
Minha inocência é pura farsa!
Pura mentira pra fazer tua desgraça.
Leva tudo que meu é, nada mais eu quero...
Ah! Se não tomo tua vida, juro que me jogo ao mar!

Como tu consegues fazer isso?
E esta sinestesia que não finda, não sai de mim...
Diz-me: onde deixaste minha alma?
Procuro-a desesperadamente por ai...
Não me diga que a vendeste ou trocaste por algo qualquer
O que era teu, era teu!
E como tal não deveria ser dado ou emprestado.
De nada valia, por isso também não negociado.
A devolva-me.
Devolva-me! mas só quando os pássaros não mais voarem, os cães não mais ladrarem e os Homens (isto também inclui as mulheres) não mais amarem.

                                             Kuroneko-chan
                                                    09.05.11

Noite

Um quarto vazio.
A luz apagada, a janela fechada,
e eu ali.
Um quarto tão frio, comigo ali dentro,
Não mais vazio.
Mas ainda assim vazio.

No silêncio infinitos pensamentos.
O escuro amedronta, solidão me persegue,
Eu abro as janelas, os fantasmas se erguem...
Espia lá fora!
No céu a lua, o sol.
No chão, não há chão... imagino um pomar.

Laranja cai ao chão,
de longe podridão toma forma.
Algo escuro aparece, toma conta de tudo
tudo desaparece.
Neste instante eu fico mudo. mudo.
Mudo no escuro. mudo de forma.
A luz apagada, janela fechada, um quarto vazio.
Não estou ali.

                                                 Kuroneko-chan
                                                      09.05.11

Philia

De nada me adianta sua companhia.
Eu, que sempre tão egoísta, só penso em mim...
Amo-te, mas isso não faz de ti importante.
Eu que sempre me diverti sozinha
Entretia-me em meus próprios pensamentos...
Não preciso de você, mas ainda assim te amo.

Julgo eu que tu, tu és quem necessita de mim
Vazio, infeliz, incompleto, oco quando sozinho...
Perfeitamente compatível a mim.
Porém tranquilo, completo, alegre, vivo e apaixonado quando ao meu lado...
Totalmente oposto a mim.
Não preciso de você, mas ainda assim te amo.

Sem ti, eu era fria e vazia.
Te encontrei.
Contigo, fria e vazia sou.
Não necessito de você, vê?
Uso-te para materializar o que em mente eu já possuía.

Estar contigo é melhor!
Tenho um sentimento de "felicidade está perto"...
Alguém que amo por perto...
Sem ti eu sofria por amor, pois nada eu possuía.
Contigo sofro por amor, pois nada mudou.
Mas tão bom é te ter...
Prova de amor é viver contigo
Pois de você eu não preciso, e ainda assim amo-te mais que a mim, vê?

                                      Kuroneko-chan, 09.05.11

Não sabe o que é Philia ? A wikipedia te explica, clique aqui.

domingo, 1 de maio de 2011

Tranquilo desespero

Eu sei que já passou da hora
e meu caminho é perigoso
Tenho medo do que há la fora
mas o que tem aqui dentro talvez seja mais pavoroso...

Ontem alguém me disse uma verdade
e com sua verdade me marcou para sempre
retirou minha máscara, me deu liberdade 
mas agora tanto faz, pois perdi minha mente.

Meus versos vazios não vão te conquistar,
meu olhar distante não vai te cegar
minha mente aberta não te faz me ver,
meu corpo cansado não vai te convencer...

As palavras que digo já não fazem diferença
são jogadas fora como aquilo que já não lhe serve mais
a minha insistência te tomou a paciência ?
não se preocupe com a hora, já não volto atrás. 

Este beco vazio já não tarda, já foi cheio
Cheio de bêbados, gatunos, assassinos e crianças
Crianças já não eram mais.
Este beco vazio já não tarda, assombrado
Assombrado pelas lembranças
lembranças passageiras, que vem e vão...
No vão da minha alma.